Claro como Cloro!

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Olá meus queridos leitores!

 

Ontem não consegui postar, então prometo antecipar um tema a mais na semana que vem para compensar…

 

O título do post eu ouvi de um instrutor de um curso que fiz. Só um trocadilho meio besta, mas que dá a noção do que pretendo expor.

É só pensar na cor do cloro… transparente. Sim, o que venho debater é a questão da transparência. Como está na moda esta palavra! Escuto isso desde que ingressei no mundo corporativo. É uma qualidade exigida e solicitada por todos: funcionários, colegas, pares, chefes, subordinados, fornecedor, cliente, consultor, etc…

 

Tive três grandes experiências com isso. Da última para a primeira…. Na mais recente, tive a oportunidade de debater o tema em grupo. Um grupo aberto, em que já estávamos construindo uma relação de confiança. Obviamente para se construir uma relação de confiança, foi colocado no grupo a importância de sermos transparentes. Tranquilo para mim, fiquei muito contente de o grupo ter chegado a este nível de maturidade. E, como já é natural em mim, expor os fatos com clareza e objetividade foi só uma questão de explicar e conscientizar a todos de que isto era transparência. Continuei a tratar a todos da mesma forma. Até que um belo dia, em dois episódios consecutivos, as mesmas pessoas (ou algumas delas) que reforçaram tanto a questão da transparência, com quem eu estava planejando e definindo diversos projetos em conjunto, simplesmente se calaram, definiram seus próprios projetos e depois de tudo pronto me ‘informaram’. Somente quando tudo de suas partes estava resolvido é que resolveram me contar. Putz!  – pensei – que facada nas costas!!! Onde foi parar o raio da transparência? Aquela regrinha básica de relacionamento que definimos quando começamos a conviver? Pois é… falar é fácil, difícil é praticar…  Por que é tão difícil praticar isso? – pensei novamente.

 

Da segunda vez, uma experiência um pouco melhor, que me ajudou a encarar este ambiente com esperança! Eu já havia vivenciado isso (na próxima experiência, que foi a primeira na verdade), mas achava que era devido ao ambiente, outra cultura, etc… Só que desta vez, o papo era realmente aberto! Tudo se falava em público, abertamente, com sinceridade e honestidade. O problema é que isso era feito doe a quem doer! Do jeito que fosse dito, independente se esta forma iria gerar consequencias… Faltavam elementos básicos como respeito e, como eu já disse anteriormente, uma intenção genuína de realmente esclarecer as coisas. Após viver assim, sobrevive-se e se aprende também o como não fazer.

 

Da primeira vez e ainda bem jovem, eu não sabia muito avaliar aquela experiência. Foi praticamente meu primeiro emprego na vida, em empresa americana e no exterior. A vivência na Europa trouxe uma série de aprendizados para mim. Uma delas, foi sem dúvida, a sinceridade européia. Na minha primeira avaliação pessoal, meu chefe me expôs E-XA-TA-MEN-TE o que ele pensava sobre o meu trabalho. Foi assertivo, objetivo, sem papas na língua, sincero, simples e direto. Era quase que uma retórica matemática aquilo! Eu não tive nem como não entender! Disse exatamente o que ele esperava de mim, mostrou minha avaliação em relação a isso e também em que eu lhe havia surpreendido. Com a mesma emoção ele me explicou o que era positivo e o que era negativo. E ponto final! Eu só tinha uma coisa para pensar: “Preciso melhorar no ponto X! E que bom que me destaquei no ponto Y! Agora mãos à obra! E obrigada pela experiência!”

 

Refletindo sobre esta e todas as demais experiências, eu volto a perguntar: por que é tão difícil praticar?

 

Porque somos latinos :). E latinos são seres movidos a emoções! É incrível como gostamos de nos abraçar, beijar, tocar, falar, se comunicar, rir, fazer amizade e todo o resto do sangue ‘caliente’ que corre em nossas veias. E isso é ruim? Claro que não! Só precisa estar no lugar certo dentro de nós… Não significa que não devamos nos emocionar, só devemos perceber melhor as emoções dentro de nós. E não deixar que elas nos controlem em situações em que a razão é mais exigida. Se vai fazer uma prova e fica nervoso, se ferra! Não é assim? Se vai fazer D.R. com o namorado (a) de algo que é simplesmente lógico (como não colocar a toalha molhada sobre a cama, por exemplo), se houver outras emoções envolvidas e a discussão ficar exarcebada, o que acontece? Ferrou de novo! E se for dar feedback e ficar com medo da pessoa ficar magoada? Ou se descontar sua raiva na pessoa? Ferrou de novo! Não estou dizendo que temos que ser frios e insensíveis. De forma alguma! Apenas devemos saber separar as coisas… E lembrar que somos responsáveis pelo que atraímos para nós. Em todos os exemplos acima, uma cabeça mais fria pensará melhor. E geralmente a emoção mais envolvida quando se trata de sermos transparentes uns com os outros é o medo. Medo de magoar o outro, medo de não estar certo, medo de se arrepender, medo de perder, medo de tomar decisão, medo, medo, medos e mais medos! Eu vou falar mais sobre medo depois, mas por enquanto, fica a dica simples de que onde há espaço para tanto medo, não há amor… E no espaço do amor encontrará a verdadeira intenção, que está sempre em ajudar e servir… e neste momento pode-se encontrar a forma de dizer a verdade e finalmente praticar a transparência.

 

Pois bem, todo mundo quer ser transparente, mas ninguém quer dizer e nem ouvir a verdade!

 

Boa semana! E aproveitemos para avaliar nossas emoções e o que está preso por não sabermos como dizer!

 

Dica prática:

  • O que precisa dizer a alguém e que não disse por medo?
  • O que está pensando que lhe gera emoções negativas a respeito de uma situação com alguém?
  • Esvazia a emoção… Pode precisar falar com alguém sobre isso, ou meditar, ou fazer algum esporte que te tire a atenção disso…
  • Tenta olhar de fora, agora sem a emoção? Qual é a lógica do que pensa? Faz mesmo sentido?
  • Ir à frente com a situação irá gerar valor para você, para a pessoa e para a relação? (se for somente para você não vale a pena…)
  • Avalie, agora com clareza, e siga em frente :).
  • Sinta se ajudou, senão, aprenda com isso! Pois alguma etapa anterior pode não ter sido feita com a sinceridade necessária. Não se engane… Mas também se arrisque!

 

2 Comments

  1. Thiago

    Oi Larissa,
    agora que estou trabalhando pra uma multinacional, mesmo lidando apenas com brasileiros, eu vejo uma grande diferença.
    Com mais abertura, existem feedbacks mais claros e direcionados.
    Sabendo o que se espera exatamente de você é bem mais fácil fazer um trabalho!

    Reply
    1. Larissa Andrade

      Olá Thiago!
      Obrigada pelo seu comentário! Isso mesmo! Geralmente empresas americanas também possuem uma política mais aberta… Americanos pensam de forma simples e direta. Se a empresa em que trabalha consegue manter a cultura aqui no Brasil, será uma grande oportunidade de aprendizado para você. Esteja sempre atento aos feedbacks de seus líderes e se desenvolva sempre! :) Se já percebeu isso, parabéns! E sucesso! Grande abraço!

      Reply

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